A Vida

A vida de Camões foi fascinante! Muitas foram as aventuras e as desventuras que, por este mundo, fora lhe aconteceram…
Pouco se sabe sobre a sua verdadeira vida. Pode dizer-se que Camões “fundou” a Língua Portuguesa, daí chamarmos a língua que falamos e escrevemos como a língua de Camões.
 
Entre a lenda e a realidade, mas quem foi afinal Luís de Camões?
Pode dizer-se que Luís de Camões “nasceu pobre, viveu pobre e morreu pobre”.
Onde e quando nasceu, como era, onde viveu e quando morreu?
De Camões, sabe-se pouco, porque poucos são os documentos autênticos que chegaram até nós.
Nasceu em 1524 ou em 1525…
Num momento difícil, quis esquecer do dia do nascimento…
O dia em que nasci morra e pereça,
Não o queira jamais o tempo dar,
Não torne mais ao mundo, e se tornar,
Eclipse nesse passo o sol padeça.
 
Terá nascido Camões? Em Lisboa ou em Coimbra?
Quem defende Lisboa como a terra onde nasceu o poeta, acredita que as Tágides imaginadas por Camões, “foram as suas mais antigas companheiras”. As Tágides eram para Camões as ninfas do Tejo, como ele próprio referiu:
E vós, tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde, celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
 
Onde estudou?
Terá aprendido as primeiras letras em Lisboa? Mas é a Coimbra que o Poeta vai ficar a dever a sua cultura humanista. Camões torna-se um homem do Renascimento e, entre outros escritores, lê Homero.
Ainda antes de Camões regressar a Lisboa, já o seu nome e os seus versos circulavam de boca em boca…, criando entre as belas e jovens fidalgas a curiosidade de o conhecer.
Amor é fogo que arde sem se ver; (...)
Um dia, pensando em três damas que lhe diziam que o amavam, e não acreditando em tal coisa, Camões escreveu umas Voltas:
Não sei se me engana Helena, se Maria, se Joana,
Não sei qual delas me engana.
 
Uma diz que me quer bem,
Outra jura que mo quer;
mas em jura de mulher
quem crer, se elas não crêem?...
 
Em nome do Amor, Camões vai ser na corte de Lisboa vítima de intrigas palacianas.
 
Alistou-se em 1549 na guarnição destacada para ir até Ceuta,… Para servir o rei!
Longos meses passaram, …até que, um dia, Camões é gravemente atingido no rosto, perdendo o olho direito.
Regressa a Lisboa em 1551. As injustiças da vida passaram a ser tema constante dos seus poemas. Logo, Camões viu-se envolvido na zaragata, …e é enviado para a Cadeia de Tronco, em 1552, onde sofre dura prisão. Camões foi libertado das masmorras sob a condição de ir servir na Índia como soldado. Pouco tempo depois, 26 de Março de 1553 partiu para a Índia desterrado.
Este soneto talvez o tenha escrito na despedida:
 
Aquela triste e leda madrugada, (...)
 
Sobre a vida dele na Índia e no oriente pouco se sabe. Para ganhar algum dinheiro, Camões escrevia versos e autos por encomenda, … em troca recebia também comida. Assim vive em Goa até 1556.
Camões já então tinha começado a escrever um livro, que mais tarde daria origem a Os Lusíadas. A certa altura da sua estadia no oriente, Camões foi para Macau onde, diz a lenda, viveu uma espécie de desterro e se terá isolado numa gruta para escrever Os Lusíadas. Nele relata e enaltece os Descobrimentos marítimos dos portugueses, sobretudo a grande façanha de Vasco da Gama, que tinha descoberto o caminho marítimo para a Índia em 1498.
Foi chamado a Goa por motivo de uma acusação da apropriação de dinheiro alheio.
Embarcou como prisioneiro na famosa Nau Prata, nos finais de 1557. Interrogado sobre o papel enrolado que levava na mão, Camões respondeu que era toda a sua fortuna e que talvez fosse aquela a sua única herança. Eram Os Lusíadas!
Nessa viagem sofre um naufrágio. Vendo que as águas lhe poderiam roubar e levar para longe o seu precioso rolo de manuscritos, Camões não hesitou: atirou-se à água e nadou, nadou com todas as suas forças! Foi portanto uma façanha verdadeiramente heróica! E assim salvou a nado Os Lusíadas.

 

Voltou a Goa pobre e sofreu acusações, injúrias e perseguições. E foi de novo preso, segundo parece por dívidas. Como lhe tinham prometido emprego, o poeta partiu para Moçambique em 1567, mas foi enganado. Em Moçambique viveu pobre e miserável, acabando Os Lusíadas. Tiveram de ser os amigos a pagar-lhe as dívidas e a viagem para Lisboa, onde Camões chegou em 1570. Camões partiu pobre, viveu pobre e pobre voltou, pobre e doente. Os seus pertences eram apenas o manuscrito com os Dez cantos de Os Lusíadas.
Em 1572 obtém permissão real para levar adiante a publicação do seu livro. A primeira edição de Os Lusíadas vê a luz do dia ainda em 1572. Entretanto, Camões consegue finalmente uma audiência na corte para ler ao rei D. Sebastião o seu tão belo poema épico Os Lusíadas.
As armas e os barões assinalados, (...)
Quando Luís de Camões acabou de ler as últimas palavras do seu poema, um silêncio de espanto e maravilha ”se ouviu”.
Depois de tantas provações, este era, afinal, o reconhecimento do seu poema épico Os Lusíadas! Em jeito de recompensa, ainda nesse ano de 1572, D. Sebastião concedeu a Luís de Camões uma tença, apesar de muito pequena.
Embarcar n’Os Lusíadas é descobrir, de verso em verso, na companhia de Vasco da Gama, o caminho marítimo para a Índia, é viajar pela nossa História. Os Lusíadas são uma narrativa de feitos históricos, em que Camões se propõe cantar os feitos e as navegações dos homens verdadeiros, sendo o seu herói o próprio povo português. Há uma exaltação da grande aventura marítima dos portugueses e do seu contributo para a História da Humanidade.
Ele cantou a história passada, acreditando no futuro, dedicou o seu poema épico ao jovem Rei D. Sebastião, levado pelo amor à sua pátria.
Entre 1579 e 1580 a peste assola Lisboa e Camões cai muito doente, é mais uma vítima da terrível doença.
Do último instante do Poeta, ficou-nos esta frase: ”morro com a pátria!” Era o dia 10 de Junho de 1580.
Do corpo não se sabe ao certo. Reza a lenda que foi enterrado em campa rasa, devido ao seu estado de pobreza e de doença. Porém na sua sepultura podem ler-se as palavras:
“ Aqui jaz Luís de Camões, Príncipe dos Poetas do seu tempo”.
Mais tarde foi transferido para um túmulo no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, ao lado do túmulo de Vasco da Gama.
Todos os anos celebramos o dia 10 de Junho como o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas no mundo.

Texto elaborado a partir da obra de Mª Alberta Menéres, Camões, o Super-Herói da Língua Portuguesa, Ed. Asa, Porto, 2010.

 Com a colaboração da professora: Maria do Céu Silva

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Bem-vindos ao nosso blog! Este nasceu para dar continuidade à nossa paixão e admiração por este famoso poeta português: Luís Vaz de Camões! Gostaríamos de transmitir alguns conhecimentos sobre este maravilhoso poeta e contribuír para a divulgação de um dos grandes nomes da Literatura Portuguesa. 

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